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Os Assaltantes, a Vingança e os Hipócritas

Posted by Tiago Di Tullio Freitas em 04/10/2012

A casa era simples. O bairro, praticamente inteiro comercial, tinha um cantinho especial apenas para residências. Nesta, moravam cinco pessoas: mãe, filhos gêmeos de onze anos, a sogra, de 81, e o pai, empresário, dono de uma pequena papelaria naquela vizinhança.

O carro chegou sem fazer alarde. Eram 3h30 da madrugada. Dois homens desceram encapuzados e armados. Um terceiro permaneceu no veículo. Apenas vigiaria. Sabiam que o portão estaria aberto. Não era costume trancá-lo. Entraram sorrateiros e passaram, também, pela porta de frente.

Não fariam mal às crianças. Acordaram os outros três moradores e, no quarto do casal, colocaram os três enfileirados de joelhos em frente à cama enquanto roubavam. Acharam dinheiro, mas não encontravam as tais joias que tanto procuravam. Aquela família não tinha joias.

– Enquanto a gente não achar o ouro, vamos ficar aqui! – bradou um deles.

– Velha desgraçada! – gritou o outro, enquanto socou com toda a força o rosto da matriarca, já idosa. – Me fala cadê as joias, filha da puta! Eu vou matar essa velha nojenta! – Neste instante, chutou a barriga da sogra. Usava uma botina e calçava 43.

Em prantos, a mãe desesperou-se e pediu, clamando em nome de Deus, que deixassem a casa e não fizessem mal àquela senhora. Nada adiantava. Armados, faziam ameaças de todos os tipos e falavam palavras do mais baixo calão. Terroristas, além de ladrões.

– Um escritório! – Percebeu um meliante, dirigindo-se ao cômodo.

O outro passou a mexer em um guarda-roupas para procurar as joias e ficou de costas para as vítimas, ainda ajoelhadas. Foi o tempo necessário para o pai passar o braço por debaixo do colchão e alcançar uma arma calibre 38.

Não esperou o bandido virar-se. Acertou na nuca. Sem defesa. Ao ouvir o tiro, o segundo assaltante voltou correndo para o quarto. Assim que entrou, viu a mãe já chamando a polícia. O segundo disparo foi ainda mais rápido. Foi o tempo de ele virar o olho para o canto para ser atingido na orelha direita.

Pela janela, o pai viu o terceiro homem descer do carro e apontou. Na escuridão, apertou o gatilho assim que ele abriu o portão. A luz automática ascendera-se em seguida. Saldo: três bandidos mortos.

Essa é a história dos assaltantes e da vingança. Mas…E os hipócritas? Os hipócritas serão aqueles que, ao lerem esse conto, fingirão não ter vibrado com o fim.

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