VOZERIA

desordem, tumulto, balbúrdia, alvoroço, bagunça, confusão, algazarra…Vozeria!

Carnaval Carioca 2013: A avenida em verde e branco

Posted by Tiago Di Tullio Freitas em 26/01/2013

No segundo post da série sobre os sambas de enredo do Carnavam Carioca deste ano, as duas tradicionais agremiações que levam as cores verde e branca para a avenida: Mocidade Independente e Imperatriz Leopoldinense.

10. IMPERATRIZ LEOPOLDINENSEPARÁ, O MUIRAQUITÃ DO BRASIL

Opinião: Há tempos a Imperatriz vem devendo na avenida. Uma escola que virou década, século e milênio como tri-campeã em 1999, 2000 e 2001 (e soma, ao todo, 8 títulos) não pode se conformar com um décimo lugar, como foi no ano passado. A agremiação costuma deixar a impressão de “perfeição” em seus desfiles. Tecnicamente impecáveis. Mas precisa de mais emoção. O samba também é homenagem: ao estado do Pará. Como já disse anteriormente, sou bem cético no que diz respeito a esse tipo de dedicatória na Sapucaí. Porém, na minha opinião, é o melhor samba da escola nos últimos 5 anos e tem um refrão delicioso! Viva o Pará!

Letra:

Raiou Cuara!
Oby aos olhos de quem vê!
Eu bato o pé no chão, é minha saudação,
Livre na pureza de viver!
Sopra no caminho das águas
O vento da ambição!
O índio, então…
Não se curvou diante a força da invasão,
Da cobiça fez-se a guerra,
Sangrando as riquezas dessa terra!
Cicatrizou, deixou herança,
E o que ficou está em cartaz…
Na passarela, “estado” de amor e paz!

Siriá… Carimbó… Marujada eu dancei!
No balanço da morena… Me apaixonei!
O bom tempero pro meu paladar…
De verde e branco “treme” o povo do Pará!

A arte que brota das mãos,
Dom da criação, vem da natureza…
Da juta trançada em meus versos
Se faz poesia de rara beleza!
Oh! Mãe… Senhora, sou teu romeiro,
A ti declamo em oração:
Oh! Mãe… Mesmo se um dia a força me faltar,
A luz que emana desse teu olhar
Vai me abençoar!

No Norte a estrela que vai me guiar,
Exemplo pro mundo: Pará!
O talismã do meu país,
A sorte da Imperatriz!

Vídeo e música:

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09. MOCIDADE INDEPENDENTEEU VOU DE MOCIDADE E ROCK IN RIO – POR UM MUNDO MELHOR

Opinião: A mistura de samba com guitarra sempre fica diferente e interessante. E foi explorada na dose exata pela agremiação de Padre Miguel. O fato é que duas das maiores manifestações (tanto musicais quanto culturais) do mundo são no Rio de Janeiro: Carnaval e Rock In Rio. Ponha os dois juntos e dificilmente terá algo decepcionante.

O samba-enredo está longe da lista dos melhores de 2013, mas minha expectativa é ver como ele será diluído na Sapucaí. Entre alas e alegorias, como mostrar o Rock In Rio? Se minha curiosidade for atendida, creio que a Mocidade tenha potencial para ir além do que o apenas o samba se propõe. Parto sempre do pressuposto de que não existe samba-enredo feio. Existem os melhores e os mais comuns. O da Mocidade de 2013 é apenas comum, mas não deixa de ser bacana, principalmente pelo efeito da guitarra durante boa parte do tempo.

Letra:

Em verde e branco reluziu
Um sonho de amor e liberdade
Da lama então, a flor se abriu
Cantei a paz, a igualdade
Estrelas mudam de lugar
A minha popstar chegou rasgando o céu
Num big bang musical
Faço meu carnaval, eu sou Padre Miguel
A vida é um show, Maraca é vibração
”É o samba/rock meu irmão”

Pandeiro e guitarra, swing perfeito
Não tem preconceito, a nossa união
Meu baticumbum é diferente
Não… Não existe mais quente

Música me leva…
O meu destino é a alegria desse mar
Vou pra Lisboa, eu vou na boa
E numa só voz ecoar
Muito mais que um som pra curtir
Conquistei a Arena de Madrid
Meu Rio… Voltei morrendo de saudade
Na Apoteose é nova edição, overdose de emoção

Uma onda me embala, invade a alma
No peito explode a minha paixão
Um mundo melhor… Que felicidade
No Rock in Rio eu vou de Mocidade!

Vídeo e Música:

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Carnaval Carioca 2013: Os primeiros sambas

Posted by Tiago Di Tullio Freitas em 08/01/2013

Na série “Carnaval Carioca 2013”, a intenção é dar a minha impressão pessoal dos sambas-enredo que vão embalar a Sapucaí no segundo final de semana de fevereiro. Vejo que, a cada ano, o interesse pela celebração mais tradicional da data no Sudeste cai concomitante à audiência da TV. Porém, como fã há 20 anos, faço aqui minha parte para que esses sambas (e os desfiles das respectivas agremiações) voltem a ser eternizados. Sei lá…Eu adoro o carnaval Carioca!!!

Ao todo, serão 6 posts com opinião, letra e vídeo dos sambas. A ordem será decrescente ao CD oficial lançado no final de 2012. Neste primeiro, Inocentes de Belford Roxo e São Clemente.

12. INOCENTES DE BELFORD ROXO – AS SETE CONFLUÊNCIAS DO RIO HAN

Opinião: A debutante do ano foi fundada em 1993 e, após 20 anos, faz sua estreia no Grupo Especial do carnaval carioca. Por ter subido no ano passado e pela falta de tradição, já pode ser considerada favorita absoluta ao descenso (isto, leia-se, é uma crítica ao modo como atuam os jurados que dão notas às escolas). Porém, não é apenas isso que vai contar na hora do desfile. Com menos estrutura, dinheiro e um samba ainda pobre para o nível do Grupo Especial, a meta é tentar permanecer no mesmo grupo no carnaval do ano da Copa. Missão difícil que, caso alcançada, surpreenderá.

A letra do samba-enredo (apesar de, como dito anteriormente, um pouco pobre) é bonita e de fácil compreensão. Porém, a composição como um todo cai em chavões e lugares comum, assim como a própria bateria, pouco ousada, típica de quem ainda está em fase de aprendizado. Ademais, como cético em relação a qualquer samba que faça homenagens a cidades/estados/países, não vejo muito futuro para a agremiação neste ano. Apesar de saber que, na verdade, a homenagem é aos 50 anos da imigração de Coreanos do Sul ao Brasil. O que chama a atenção é o intérprete Wantuir representando a escola. Com uma voz bem característica, vinha puxando os sambas da Grande Rio nos últimos anos.

Letra:

Chegou o grande dia
É o despertar de um sonho especial
Rufam os tambores na avenida
Coreia do Sul se faz carnaval
E… As sete confluências vão fluir
Peço águas tranquilas pra seguir
Para a deusa do vento a proteção
Rosa de Sharon
Recomeço e transformação
O respeito aos seus ancestrais
Refletem nos antigos rituais

Um rio de amor me leva
O destino soprou saudade
Um porto seguro o futuro revela
Um bom retiro de esperança e liberdade

Sinto a emoção
Em cada expressão
Da cultura popular
Navegar, mudar a direção
Num toque se comunicar
A fé refletida na paz de um olhar
És um belo exemplo a seguir
Um caminho de luz a trilhar
E lá vou eu…
Colhendo os frutos dessa linda união
Braços abertos a imigração
50 anos nessa pátria mãe gentil
Coreia do Sul
Tuas águas cristalinas são espelhos
Na cadência da baixada
Desaguam no meu rio de janeiro

Meu oriente é você
Vim mostrar o meu valor
Inocentes, razão do meu viver
Avante cidade do amor

Vídeo e música:

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11. SÃO CLEMENTE – HORÁRIO NOBRE

Opinião: Disparado (!) o samba-enredo mais alegre do carnaval 2013. Uma tendência, aliás, que a escola segue desde o ano passado quando, injustamente, terminou como antepenúltima colocada após a apuração (lembrando que caíram Porto da Pedra e Renascer de Jacarepaguá, pois, excepcionalmente, 13 escolas desfilaram devido ao incêndio nos barracões ocorrido em 2011).

A letra é de arrepiar, principalmente para os fãs de TV e novelas. Viúva Porcina, Sinhozinho Malta, Perpétua e Odete Roitman permeiam a viagem ao “Horário Nobre”, tema do enredo deste ano. Tieta, Gabriela e a escrava Isaura também aparecem, junto a famosos bordões de personagens consagrados da telinha. Nomes de novelas e séries que fizeram história na TV brasileira serão lembrados na Sapucaí e, se o desfile apresentar a mesma pegada do samba-enredo, a agremiação tem tudo para surpreender neste ano. Aliás, é o desejo deste humilde blogueiro…

Letra:

Nem adianta me ligar agora
Eu estou grudado na tela
Antiga história de amor
Orgulho da gente
Ajeita a poltrona, chegou… São Clemente!
No espelho, a magia atravessa gerações
Está no ar a mística das grandes emoções
Coragem irmãos, que a viagem
Tem os dramas da vida que imita a arte
As lutas de um povo e suas bandeiras
Amores e risos por todas as partes

Dance bem, dance mal, dance sem parar
Roque quer sambar… Não é brinquedo não
Quero ouro, muito dez, Inshalá
O astro na imagem da televisão

Bem lembro a me seduzir
A morena sensual Gabriela
Fogosa Tieta e a doce Isaura
Branca escrava, tão bela
Em Bole-Bole quem não viu?
Dona Redonda explodiu!
Segura a peruca, Perpétua
Odete, chegou sua hora
O Brasil parou! Quem matou?
Já vai terminar do jeito que eu quis
Vilão não tem vez, final feliz

Olha quem chegou, Sinhozinho Malta
Viúva Porcina sambando igual mulata
Milhões de imortais também presentes
Na tela da São Clemente

Vídeo e música:

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O Calado

Posted by Tiago Di Tullio Freitas em 26/10/2012

Era calado. Nunca fez mal a uma mosca. Sim. Chavão, mas verdadeiro. Sempre querido por todos. Porém, mal falava. Guardava pra si. Tudo. Embora estivesse sempre rodeado por família e amigos, abria pouco a boca para dizer qualquer coisa que fosse.

Seu mecanismo de defesa era fazer piadas. Puras. Sem ofender, sem querer intentar entrelinhas ou deixar comentários jocosos. Intermitentemente brincando com todos em quaisquer situações postas à sua frente.

Todavia, possuía opiniões. Porém, guardadas apenas para si. Era humano, oras! Então, mudou a postura e passou a falar. A tentativa era apenas mostrar a própria verdade. Quem realmente era. Tomar partido. Ser alguém além do “brincalhão calado”.

Passou a ser tolhido. Criticado. Julgado. Posto à prova. Perdeu amigos, perdeu o emprego. Não conseguiu mais trabalhar. Tampouco ganhou o respeito que sempre desejara. Calou-se. E assim permaneceu…

À mercê das opiniões alheias, tornou-se aquele quem, no máximo, balançava a cabeça. Pra cima, pra baixo, esquerda, direita…Sem mais comentários. Entristeceu. Deprimido, definhou.

No dia de seu enterro, lembraram-se dele pela “timidez”. Palavra que odiara e lembrança de personalidade que menos sonhou em vida para levar à eternidade.

Cruel, assim foi sua passagem pelo mundo. Sem direitos. Apenas deveres. Aparências. Morreu calado.

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Os Assaltantes, a Vingança e os Hipócritas

Posted by Tiago Di Tullio Freitas em 04/10/2012

A casa era simples. O bairro, praticamente inteiro comercial, tinha um cantinho especial apenas para residências. Nesta, moravam cinco pessoas: mãe, filhos gêmeos de onze anos, a sogra, de 81, e o pai, empresário, dono de uma pequena papelaria naquela vizinhança.

O carro chegou sem fazer alarde. Eram 3h30 da madrugada. Dois homens desceram encapuzados e armados. Um terceiro permaneceu no veículo. Apenas vigiaria. Sabiam que o portão estaria aberto. Não era costume trancá-lo. Entraram sorrateiros e passaram, também, pela porta de frente.

Não fariam mal às crianças. Acordaram os outros três moradores e, no quarto do casal, colocaram os três enfileirados de joelhos em frente à cama enquanto roubavam. Acharam dinheiro, mas não encontravam as tais joias que tanto procuravam. Aquela família não tinha joias.

– Enquanto a gente não achar o ouro, vamos ficar aqui! – bradou um deles.

– Velha desgraçada! – gritou o outro, enquanto socou com toda a força o rosto da matriarca, já idosa. – Me fala cadê as joias, filha da puta! Eu vou matar essa velha nojenta! – Neste instante, chutou a barriga da sogra. Usava uma botina e calçava 43.

Em prantos, a mãe desesperou-se e pediu, clamando em nome de Deus, que deixassem a casa e não fizessem mal àquela senhora. Nada adiantava. Armados, faziam ameaças de todos os tipos e falavam palavras do mais baixo calão. Terroristas, além de ladrões.

– Um escritório! – Percebeu um meliante, dirigindo-se ao cômodo.

O outro passou a mexer em um guarda-roupas para procurar as joias e ficou de costas para as vítimas, ainda ajoelhadas. Foi o tempo necessário para o pai passar o braço por debaixo do colchão e alcançar uma arma calibre 38.

Não esperou o bandido virar-se. Acertou na nuca. Sem defesa. Ao ouvir o tiro, o segundo assaltante voltou correndo para o quarto. Assim que entrou, viu a mãe já chamando a polícia. O segundo disparo foi ainda mais rápido. Foi o tempo de ele virar o olho para o canto para ser atingido na orelha direita.

Pela janela, o pai viu o terceiro homem descer do carro e apontou. Na escuridão, apertou o gatilho assim que ele abriu o portão. A luz automática ascendera-se em seguida. Saldo: três bandidos mortos.

Essa é a história dos assaltantes e da vingança. Mas…E os hipócritas? Os hipócritas serão aqueles que, ao lerem esse conto, fingirão não ter vibrado com o fim.

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Só pra falar de Hitchcock…

Posted by Tiago Di Tullio Freitas em 28/09/2012

Porque falar de Hitchcock? Aí eu entro na internet e vejo tudo sobre o mestre do suspense. Mas, tudo meio blasé….En passant. E essa de “mestre do suspense” já virou chavão, né? Então, porque falar de Hitchcock? Para aprofundar.

Pra aprofundar e mostrar mais daquele que foi único. Ok. Ele é reconhecidíssimo, tem quadrilhões de fãs ao redor do globo…Mas…E daí? Não tem um blog no Brasil decente só pra ele. Assim como tem Chaplin (pode clicar que vale MUITO a pena), criado por Hallysson Alves. Uma homenagem que dá a dimensão que o diretor merece.

Falar de Hitchcock é chover no molhado. Enumerar suas qualidades como diretor, seu jeito único, sua maneira de deixar o suspense acima e as entrelinhas claras (porém, antagonicamente subjetivas)…Mas além desse espaço pro já conhecido, prestar a homenagem ao diretor que me fez gostar de cinema. Que me tornou cinéfilo, colecionador de filmes e desbancou toda e qualquer ideia de que apenas os enormes blockbusters mereciam a minha audiência. E tentar mostrar a quem gosta da sétima arte o porquê de ele merecer essa (singela) homenagem…

Porque falar de Hitchcock? Só pra falar de Hitchcock…

www.hitchcockbrasil.wordpress.com

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Sete Pecados e a Solidão

Posted by Tiago Di Tullio Freitas em 21/09/2012

Irado, abriu a porta do hotel e deparou-se com um vasto corredor. Não tinha mais nada para comer! Queria, desesperadamente, outro chocolate daquela máquina próxima ao elevador. Mas, ao ver a distância que teria de percorrer, abortou a ideia.

Ademais, estava escondido. Não queria dar sopa. Roubara o patrão para ter o luxo que sonhava. Desviara milhões e gastaria apenas com o próprio ego. Dividir? Nem pensar! Agora, rico, não precisava invejar os outros.

Quando deslocou de leve a maçaneta para voltar ao aposento, um susto. Tudo estava transformado! Era um campo aberto. A grama, marrom com a seca, apresentava pequenos pontos de queimadas. Fumaça que se concentrava em ir apenas ao alto. Não ventava. A única brisa presente vinha do bater de asas de dezenas de urubus que sobrevoavam o sítio.

A princípio, ninguém por perto. Estava só. Ao lado direito, um grande galpão que se assemelhava com a fachada do hotel onde se hospedara. Porém, abandonado. Portas de madeira caindo, animais peçonhentos perambulando e uma enormidade de cadeiras de plástico enfileiradas.

Deslocou-se para tentar ver. Porém, foi interrompido. Uma fila de homens maltrapilhos se formava para passar e adentrar o corredor de frente do galpão, em formato de rampa. Todos em silêncio sepulcral. Até que um parou.

Aproveitou a oportunidade para perguntar um “aonde estou?” quase sussurrado.

– Não está em lugar algum – respondeu a figura, sem ter qualquer tipo de reação. Explicou-lhe que ali, na verdade, era o limbo.

– Não pode ser! Estou vivo, bem de saúde e tenho tudo o que podia querer! – exclamou, assustado.

– Exatamente. Bem vindo ao limbo em vida: o nome dele é solidão.

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O Nome na Porta

Posted by Tiago Di Tullio Freitas em 14/09/2012

O responsável não sabia por onde começar. A bagunça era tanta que a sala nem parecia a mesma. As pessoas ao redor do prédio público comentavam: o que teria acontecido ali?

Fotos esparramadas pelo chão. A investigação seria intensa. Os papéis espalhados um dia fizeram sentido. Agora eram apenas restos e, com sorte, possíveis evidências de que realizara algo importante.

Há oito anos trabalhara ali. Estava para entrar no nono. Não seria mais possível. Porém, não havia corpo. Não havia sangue. Estranho. Assassinato então, não era.

O tempo passou. O nome fixado na porta mudou. A faxina varreu o que restara. Caixas levaram de volta os objetos. Descobriu-se o crime. Suicídio. Mas sem morte. Cada um se enforca como pode.

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Memória de elefante, voz de Deus…

Posted by Tiago Di Tullio Freitas em 02/11/2010

A beleza da democracia é essa: faz-se a voz do povo, da maioria. Seis, sete meses de intensas campanhas em busca de votos que vão decidir o rumo do país. O caminho a ser trilhado por quatro anos. Temos, agora eleita, a primeira mulher presidente do Brasil. Porque a maioria escolheu. A maioria que um dia escolheu Lula. Incríveis duas vezes! Essa maioria da memória curta…

Antes de mais nada, tenho respeito pelo voto de cada um. Prefiro debates com quem vota, se posiciona, tem opinião, do que as centenas de milhares de demagogos. Isso inclui líderes de partidos que concorreram à presidência que, ao invés de se posicionarem para justificar seu voto a quem os depositou a confiança, preferem ficar em cima do muro sem qualquer explicação ou justificativa plausível.

Mas voltando ao assunto, a memória do povo é realmente curta. Diga-se: caso Erenice Guerra; escândalo da quebra de sigilo na campanha adversária; lei do aborto; mordaça à imprensa; José Dirceu e o Mensalão; Palocci e o caseiro. Dentre MUITOS outros vindos deste partido. Uma mentira atrás da outra. Intermitentemente. Sem descanso.

Varre-se a sujeira pra baixo do tapete, muda-se o discurso, altera-se o visual, a maneira de agir, de falar e fica tudo certo. O que ficou pra trás é passado, afinal! Aliás, que passado, né? De um lado, um ex-deputado, ex-senador, ex-prefeito, ex-governador e, uma vez, eleito o melhor ministro do planeta. Do outro, a guerrilheira, ex-ministra envolvida em escândalos até as tampas, ex-secretária contestadíssima de Porto Alegre. A mulher que conseguiu a proeza de falir uma loja de 1,99 na capital gaúcha. Enfim…

Quem tem memória votou em um. Quem não se lembra, votou na outra. A candidata do “não lembro”, apadrinhada pelo Presidente do “eu não sei de nada” venceu. E assim ficaremos por mais quatro ou, quem sabe, oito anos…Queria todos tivessem memória de elefante. Aí sim, seria feita a voz de Deus. Deus que, pra nossa presidente, só existiu na campanha do segundo turno. Afinal, ela é atéia. Mas disso ninguém se lembra…

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A sala 800

Posted by Tiago Di Tullio Freitas em 08/07/2010

Hoje voltei, por minutos, sete anos no tempo. Cada centímetro, cada passo trazia uma memória. Parece que cada pedacinho daquele prédio nos pertence. E passamos apenas quatro anos lá. Não fomos os primeiros a chegar e estamos longe de ser os últimos a sair. Mas pra gente, o que fica, o que marca, é a NOSSA passagem. Única. Uma vez na vida. Podemos até passar pelo processo novamente, mas dificilmente uma história dessa intensidade é substituída ou repetida.

Prestes a iniciar uma nova caminhada de estudos, desta vez em pós-graduação, hoje voltei à velha faculdade. Documentação e burocracia, nada de mais. Antes de ir embora, uma breve caminhada. Breve mesmo. Descida até o primeiro prédio. Descida das escadarias onde antes se encontravam o centro do Diretório Acadêmico e a cantina. Universidade deserta. É julho. Férias. Último degrau. E o olhar se fixou na porta da primeira sala. Da primeira sala, do primeiro encontro, da primeira aula. A sala 800. Mas é só uma porta. De uma sala. Como pode trazer à tona tantas memórias? Só quem passou por lá sabe. Risadas, discussões, cantorias. Brigas, perseguições, xavecos. Fofocas, coxixos, papos sobre a profissão. Confabulações, viagens, combinações. Fugas, gritarias, fomódromo. Adeus exacerbados. Saidinha básica da aula. Matando aula descaradamente. Brincadeiras, alegrias, realização pessoal e expectativas quanto à realização profissional.

É só uma porta. De uma sala. Mas é A SALA. Não pude evitar a emoção de passar por ali. Cada um de vocês me veio à mente. Mesmo por instantes. Como vocês são importantes. Como me orgulho de ter vocês na história da minha vida. E como amo o fato de ter feito um pouquinho da parte da história de vocês. Hoje, percebi o quanto fazem falta. Foi uma memória gostosa. Um momento de muita satisfação. Infelizmente, nostalgia é não poder voltar no tempo.

São três anos e meio de separação. Uma separação dura e indesejada. Porém, esperada e necessária. O lugar é o mesmo. A sala é a mesma. As pessoas, não. Um vazio estranho. Um vazio simbólico. Pros novos, um vazio de férias. Pra nós, um vazio de saudades…

*Fica a minha homenagem aos meus queridos amigos da turma 33 de Jornalismo da PUC-Campinas. Vocês são MUITO especiais…!!!

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Linha Imaginária

Posted by Tiago Di Tullio Freitas em 07/06/2010

Como assistir a um filme que se passa na época da Segunda Guerra Mundial sem esperar comoção, violência, se indignar e ficar, na imensa maioria das vezes, com raiva? Impossível. Mesmo sendo, esse filme, sensível, e diferente dos outros que mostram trincheiras, bombas, sangue e patriotismo exacerbado. Você vai sentir tudo isso ao ver “O Menino do Pijama Listrado”. Porém, há pouca violência no filme. Digamos que é inversamente proporcional ao sentimento que se há de ter ao final da história.

O filho de um comandante nazista se vê diretamente ligado a um menino em um campo de concentração, quando seu pai é obrigado a mudar-se de Berlim a uma área afastada, justamente para poder ser um dos responsáveis pelo local. Ambos os meninos, com apenas oito anos de idade, tem visões diferentes sobre a vida no Campo de Concentração, sem ter a exata noção do que se passa por lá, os motivos e as razões. O encontro diário entre os meninos tem consequências finais arrebatadoras. Deixam o coração apertado e nós intermináveis na garganta. Separados apenas pela cerca de arame farpado, buscam alento um no outro, pela solidão e completa ignorância da situação que os rodeia.

Havia comprado esse DVD há mais de um ano, mas ainda não tinha juntado a coragem necessária para enfrentar um possível sofrimento, dado que meu histórico a filmes dramáticos são de 100% lágrimas. Ontem, porém, acompanhado, fui “obrigado” a assistir. Uma obrigação que tornou-se prazerosa e surpreendente, justamente pela sensibilidade do diretor ao lidar com o assunto, tão complexo e com grandes possibilidades de controvérsias. Porém, ao final, questionamentos: será que os alemães tinham mesmo a certeza do que estavam fazendo? Será que algum deles aprendeu alguma coisa, do modo mais difícil?

Apelo psicológico fortíssimo, cenário mais que real, bela direção de arte e boa escolha dos atores mirins. Além da sensação de que, na verdade e no fundo, todos sabiam (e sabem) que a linha que separa e segrega um ser humano de outro é imaginária. E quem ainda acha que cor, raça, origem e nível social etc, são pretextos para se criar barreiras e diferenças entre semelhantes, acaba aprendendo na marra…Recomendo! Pra ver, rever e, principalmente, refletir…

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