Tudo deu certo nesse filme…E muito!!!
Boris, passando mal, diz à esposa:
- Vou morrer, vou morrer!
Ela, agitada e nervosa, no meio da noite, responde:
- O que você tem, está passando mal?!?!
- Não agora! – responde Boris, tossindo e pegando um copo d’água – Vou morrer um dia, eventualmente!!!
- Todos nós vamos, Boris! – ela responde, mais calma.
- Isso é inaceitável! – retruca Boris…
A conversa continua um pouco mais, mas a essência da cena é essa mesma. Um Woody Allen que não é interpretado por ele mesmo. Mas que consegue ir além da fidelização da personalidade. Um neurótico, sempre a beira de um ataque de nervos. Medo de morrer (porém com tendências suicidas), cheio de TOCs, rabugento, e com complexo de superioridade e perseguição ao mesmo tempo. Tá, OK, OK…E a novidade…? Afinal é um Woody Allen…A novidade é que dá pra multiplicar essas características por dez! Nunca vi em nenhum outro filme desse diretor um personagem tão caricato. Porém, perfeito em sua natureza “Allenesca” e com uma interpretação que supera até mesmo as melhores de Woody, quando este resolve ir pra frente das câmeras.
Em “Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works)” temos mais do mesmo: Manhattan, um louco que se apaixona por uma mulher mais nova, diálogos malucos e aquelas frases de efeito que se esperam da terapia de Allen, baseada nas teorias Freudianas, anti-religiosas e na lei de Murphy ao mesmo tempo. Porém o mais do mesmo há muito não vinha sendo produzido. Depois de uma fase experimental em outros países e gêneros de filmes, e até tentando histórias mais complexas, o diretor volta com tudo ao estilo que o consagrou. O resultado é o melhor filme dele nessa década. DISPARADO! Risadas do começo ao fim, um roteiro redondinho que não deixa lacunas, um cenário de uma Manhattan colorida, personagens que se transformam durante o filme, a eterna implicância com Deus e a maior atração de todas: Boris Yellnikoff (interpretado por um impecável Larry David), a caricatura de todos os Allens somados durante as décadas.
Assistam, reassistam e depois comprem o DVD. Vale a pena! Nesse filme, com certeza, tudo deu certo…
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